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Friday, September 12, 2008

O Lobo Mau

Fiz esta historinha para a Revista Subversos, que agora está em seleção para a edição número 2. Ela é baseada em um conto que fiz para minha aula de roteiro, que segue logo abaixo, e que por sua vez é baseado no conto de fadas do Chapéuzinho Vermelho.

Atualização: Minha história já foi escolhida para estar presente na edição 2 da Subversos!!

Vejam uma resenha da revista, aqui!

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This is a three-page comic story I made for Subversos Maganize, based on a little tale I wrote for my script classes. Unfortunately both are still in Portuguese, soon I'll translate it.

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Clique na imagem para ver a versão extendida:
Click on the image to see the extended version:



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O Lobo Mau


Era uma vez um jovem assassino serial. Ele costumava conversar com garotinhas em salas de bate-papo da Internet e tentar marcar encontros. Enganadas pela sua lábia afiada, algumas caíam em suas falsas promessas de amor perfeito e concordavam em encontrá-lo, para nunca mais serem vistas novamente.

— Você ainda vai se dar mal, Nias! Isso que você faz é terrível. Eu só não te denuncio porque é meu filho. Mas um dia alguém vai te dar o troco! – a mãe bradava toda vez que ele saía de casa um pouco mais arrumado.

— Eu vou parar, Mãe, é a última vez. – ele respondia isso todas as vezes.


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Neste dia, foi a uma festa encontrar a pequena Cindy. Era uma moça muito pobre e sofrida, que penava cuidando da casa e satisfazendo os desejos das filhas de sua madrasta. Ainda assim era bastante bonita e sonhava conhecer um príncipe encantado com quem pudesse se casar e transformar sua vida. Nias havia percebido isso e sempre passava a imagem de ser rico e bem sucedido. Até alugara um terno para o encontro. Encantada, ela nem mesmo reparou nas mangas do paletó grandes demais para os braços do rapaz.


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Outra vez, enquanto os pais de Cindy ainda não haviam encontrado sua filha na plantação de abóboras, Nias foi ao Parque Ibirapuera conhecer a pálida Néye. Tratava-se de uma menina gótica e triste por ser constantemente maltratada pela invejosa esposa do pai. Falava tão baixinho que ele era obrigado a um imenso esforço para entender suas lamentações. Enquanto dividiam uma maçã do amor, ela contou como esperava encontrar alguém que a tirasse do sofrimento. Mas ela é quem foi encontrada semanas depois, já livre de qualquer dor, em um depósito de anões de jardim.


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Uma das moças mais trabalhosas para Nias foi Aurora. Rica e bonita, acreditava que todas as dádivas do mundo lhe haviam sido concedidas. Era a mais bela, mais charmosa, mais inteligente, mais caridosa, tudo segundo ela mesma. E, tão logo viu que Nias não era alto e forte como o homem ideal que achava merecer, quis ir embora. Os funcionários de uma loja de colchões assustaram-se ao deparar com a garota enrolada em fios de lã sobre uma cama, como se dormisse.


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Certo dia, Nias conversava com uma garota que se autodenominava Boo, inspirada por um bebê de um desenho animado. Diferente das outras, ela não esperava encontrar um príncipe encantado, parecia querer apenas viver sua vida e divertir-se com responsabilidade. Isto fez com que várias semanas se passassem até ser convencida.

BOO diz:
Eu não sei, sou uma menina muito frágil, tenho medo de encontrar caras por aí e eles me tratarem mal.

NIAS diz:
Mas eu não sou um desses caras, Boo... Se você quiser a gente se encontra na casa da sua avó, com todo mundo olhando.

BOO ri.

BOO diz:
Tá bom, pode me levar para jantar então.


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No dia seguinte, Nias saiu para o restaurante onde haviam marcado. Desceu do ônibus e foi andando até a Rua 13 de Maio, onde ficava La Casa di Nonna, uma pequena cantina na qual costumava ir de vez em quando. Ele gostava desta, pois ali era permitido levar seu próprio vinho, e ele havia preparado um especial, injetando algumas substâncias facilitadoras através da rolha.

Chegou já ofegante ao quarteirão da cantina. Estava mais acostumado a ficar sentado no computador do que a andar poucas quadras. Apertou os óculos para conferir o nome do lugar, do outro lado da rua. Naquela região todos os restaurantes tinham uma aparência parecida e, desde o ano passado, podiam usar apenas pequenas placas com os letreiros.

Na entrada, pediu ao maitre:

— A mesa de Nias Cappello Rosso, por favor.

— Ah sim. Uma senhorita já o espera.

Nias estranhou, pois as mulheres nunca chegavam adiantadas, e foi em direção à mesa. No caminho passou pelo buffet de massas suculentas e fumegantes, triste por estar com um início de gripe e não conseguir sentir cheiros e gostos direito. Isso até lhe tirava a fome.

Surpreendeu-se com Boo. Acreditava tratar-se de uma menina pequena e meiga, como ela mesma dizia ser, mas na verdade era alta e voluptuosa. Além disso, vestia um casaco de peles que a deixava ainda mais chamativa.

— Boo? – perguntou, naquele dia estava mais tímido do que costumava ser. Ela de certa forma o assustava, talvez fosse o batom vermelho nos lábios grossos.

— Oi. Pode me chamar de Malu. Boo é só apelido. Sente-se comigo.

Nias tirou a jaqueta vermelha e sentou-se. Ela já comia alguns petiscos da Nonna, pequenos pastéis variados.

— Trouxe um vinho.

— É uma pena, mas não bebo. Pode tomar, eu não ligo.

— Ah, talvez só um gole para abrir o apetite. – Nias não queria se auto dopar, mas achou que um pouco do vinho tiraria o estranho nervosismo que sentia.

Pediram os pratos, conversaram e comeram. Encantado pela beleza bruta da mulher, ele aceitou seu convite para esticar a noite. Normalmente, Nias escolhia os lugares para onde levar suas vítimas, mas não faria mal em arriscar um pouco, ele pensou. Talvez não fizesse nada desta vez, afinal.

— Trouxe um presente para você – ela disse no táxi.

Era uma trufa de licor de anis. Nias provou e sentiu o sabor doce de sua própria sina, conforme os sons da cidade ficavam cada vez mais distantes. Ele nunca foi encontrado, mas os assassinatos continuaram. Todos acreditaram que o assassino conhecido como “Lobo Mau” havia passado a atacar também homens.

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